O Globo, n 32.387, 09/04/2022. Economia, p. 16
Petrobras reduz preços do gás de botijão em 5,58%
Bruno Rosa e Carolina Nalin
Queda entra em vigor a partir de hoje. Reajustes da estatal responderam por mais de um terço da inflação de março
Dois dias depois de o governo divulgar o novo nome para comandar a Petrobras, a estatal anunciou redução de 5,58% no preço do gás de botijão (GLP). Os novos valores valem a partir de hoje.
O preço médio de venda de GLP da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 4,48 para R$ 4,23 por quilo. No total, o preço será de R$ 54,94 pelo botijão de 13 quilos para distribuidoras, refletindo redução média de R$ 3,27.
“Acompanhando a evolução dos preços internacionais e da taxa de câmbio, que se estabilizaram em patamar inferior para o GLP, e coerente com a sua Política de Preços, a Petrobras reduzirá seus preços de venda às distribuidoras”, diz a estatal em nota.
A companhia afirma ainda que “reitera seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato para os preços internos, das volatilidades externas e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”.
Apesar da queda, o consumidor vem pagando cada vez mais caro pelo GLP. Segundo dados da ANP, o preço subiu de R$ 102,40, em janeiro, para R$ 113,63 na semana passada. É uma alta de 10,9% no acumulado do ano. A redução não compensa o aumento anunciado em março, quando o quilo subiu 16,1%, passando de R$ 3,86 para R$ 4,48.
Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás, que reúne as empresas do setor, disse que redução já era esperada pelo mercado:
— Não foi surpresa, pois o preço internacional vem com quedas sucessivas nas últimas semanas, e ainda tivemos a valorização do real frente ao dólar. É uma pequena queda, mas sempre bem-vinda.
Porém, os reajustes já praticados pela Petrobras na gasolina, gás de cozinha, diesel e gás veicular foram um dos principais motivos para que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março tivesse subido para 1,62%, a maior taxa para o mês desde 1994.
Somente esses três itens responderam por mais de um terço do índice. O peso chegou a 35% da taxa, considerando apenas o impacto direto nos preços.
— Quando há uma alta no preço da gasolina e do diesel, você tem um efeito sobre toda a economia. Todos os produtos e serviços acabam sendo afetados — diz Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.