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Título: Relatório de acompanhamento fiscal : janeiro de 2022
Autor(es): Senado Federal. Instituição Fiscal Independente
Salto, Felipe Scudeler
Couri, Daniel Veloso
Pinto, Vilma da Conceição
Casalecchi, Alessandro Ribeiro de Carvalho
Andrade, Alexandre Augusto Seijas de
Bacciotti, Rafael da Rocha Mendonça
Souza, Pedro Henrique Oliveira
Caldas, Carla Cristina Osório
Data do documento: 19-Jan-2022
Editor: Brasília : Senado Federal, Instituição Fiscal Independente
Série/Relatório no.: Relatório de acompanhamento fiscal ; n. 60
Resumo: Os dados de atividade do quarto trimestre de 2021 mostram que o crescimento da economia permanece negativo, reforçando um quadro de menor crescimento do PIB para 2022. Apesar do avanço da vacinação, o aumento recente de casos de covid-19 ocasionado pela variante Ômicron gera incertezas adicionais em relação ao desempenho do PIB desse ano. A inflação ao consumidor encerrou 2021 em 10,1%. A abertura do IPCA de dezembro exibe um cenário de disseminação dos reajustes de preços, enquanto as expectativas para 2022 continuam acima da meta. A elevação expressiva da taxa real de juros, a diminuição dos preços de energia e a reversão parcial dos preços de commodities são fatores que devem contribuir para o processo de desinflação ao longo de 2022. A IFI projeta uma piora no deficit primário do governo central em 2022, que deverá aumentar para R$ 106,2 bilhões, ante os cerca de R$ 38,2 bilhões a serem confirmados em 2021. O principal risco associado a esse cenário é a criação ou ampliação de novas despesas primárias permanentes, como o reajuste ao funcionalismo ora em discussão. De acordo com informações do Banco Central, a despesa de juros do setor público cresceu 1,4 p.p. do PIB entre junho e novembro de 2021. Tudo indica que a despesa de juros, como proporção do PIB, seguirá em elevação nos próximos meses, podendo até reverter a atual trajetória favorável de redução do deficit nominal do setor público. A aprovação da PEC dos Precatórios (Emendas Constitucionais nº 113 e nº 114) abriu espaço para aumento de despesas e piorou o quadro fiscal de 2022. O Orçamento aprovado agora prevê deficit de R$ 79,4 bilhões (0,8% do PIB). O déficit é maior do que o previsto inicialmente pelo governo e se aproxima da projeção da IFI, que é de R$ 106,2 bilhões (1,1% do PIB). O Orçamento já nasceu com pressões por ajustes. No Executivo, há um excesso de despesas em relação ao teto de gastos no valor de R$ 1,8 bilhão, o qual deverá ser corrigido apenas em 2023. Nos demais Poderes, os gastos não acompanharam a elevação dos limites e deverão sofrer reajustes no decorrer do ano. Além disso, parte dos pleitos enviados pelo Executivo ao Relator-Geral do PLOA não foram atendidos, o que também deve gerar aumento nos gastos previstos para 2022.
URI: https://www2.senado.gov.br/bdsf/handle/id/595062
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