Em resposta à declarada intenção de Portugal de recolonizar o Brasil - expressada pela Corte de Lisboa -, o autor propôs que se conservasse a liberdade já adquirida pelo Brasil, sem que este se desligasse de Portugal. Para tanto, fazia-se necessária a reunião das províncias brasileiras num todo e a formação de um governo monárquico constitucional, tendo-se à frente D. Pedro I. Segundo Blake, esta “Memoria” foi logo mandada imprimir por D. Pedro I e espalhada por todo o Império. Ainda não havia sido proclamada a Independência do Brasil, mas com ela, em 1823, o visconde tornou-se representante de Pernambuco na Assembleia Constituinte.
"Nesta famosa memória de Bernardo José da Gama, futuro Visconde de Goiana, datada do Rio de Janeiro, 10 jan. 1822, são enumeradas as razões pelas quais o Brasil deve procurar sua 'verdadeira regeneração': a 'privação do Poder Legislativo, e da posse do Rei, como paiz indecorozo para á Realeza'; a 'privação do Poder Executivo, e dos Tribunaes Supremos do Brasil, degradado da Cathegoria de Reino'; a 'desunião das Provincias, e a privação dos vazos de guerra, da artilharia, e até da Pessoa do Príncipe Regente'; e finalmente o 'descredito, o aviltamento, e o desprezo na pessoa dos Reprezentantes do Brazil'. Propõe a perfeira união das províncias e insinua o recurso às armas para solucionar a crise política."-- Camargo; Moraes, 1993, volume1, páginas 385-386.